É um absurdo o que a Coordenação da Graduação em História da UFF está fazendo em seu início de gestão. O “período de ajustes”, época do semestre em que os alunos podiam alterar sua inscrição em disciplinas, foi praticamente extinto no nosso curso. Alega-se que o corpo discente transformava a coordenação em uma bagunça, utilizava o período de ajustes para fazer uma nova inscrição completamente diferente e tumultuava, portanto, as pautas e as turmas durante mais ou menos 1 mês do semestre letivo (que normalmente tem 4 meses). O argumento burocrático pode ser a cereja do bolo: “A universidade nunca obrigou a ter inclusão e alguns departamentos não têm.”.
Foi com pesar que recebi a notícia, no primeiro dia do semestre letivo, de que seria impossível, a partir de agora, incluir disciplinas no período de ajuste. Há relatos de estudantes que tentaram fazer ajustes ao longo dessa semana, como já havia se tornado uma tradição do curso e que também foram surpreendidos com a notícia. Importante é ressaltar que a medida, tomada a toque de caixa, foi “divulgada” pela lista de e-mails do GHT, mas sabe-se lá por que cargas d’água boa parte dos alunos não recebeu a mensagem, mesmo estando subscritos no grupo. Os avisos estão espalhados pelos murais do ICHF. Com floreios que não explicam absolutamente nada, simplesmente foi avisado que os ajustes serão feitos apenas em casos de justificada necessidade. Os coordenadores do curso, porém, devem ter um conceito de “necessidade” bastante distinto daquele dos estudantes.
Posso estar cometendo alguma injustiça com a coordenação, pois algumas das informações as quais me referirei aqui são daquelas que rondam os corredores, que são ouvidas pelas paredes, nos elevadores… O crivo público ao qual o texto será submetido é o melhor juiz disponível no momento. Basta adiantar, para começar, que a desinformação grassa pelos blocos N e O. E os coordenadores não se prestaram (até o momento) a esclarecer de fato a situação, a menos que alguém vá pessoalmente à coordenação, no quinto andar do Bloco O e descubra, da pior maneira possível, que novas regras estão em vigência.
Dentre elas uma salta aos olhos: alunos do Ciclo Básico são informados de que só podem se inscrever em matérias do Ciclo Profissional/Optativas/Eletivas após completarem, na ordem (antigamente sugerida, agora obrigatória), as matérias do Básico. Havia uma indicação de que o Básico não fosse deixado para depois, pois isso aumentava os gargalos do currículo. E medidas foram tomadas para que os gargalos se desfizessem (aumento do módulo das disciplinas do básico por um tempo determinado). Medidas essas tiradas pela Comissão Acadêmica e aprovadas pela Plenária Departamental. Diferentemente das arbitrariedades que vem sendo perpetradas nesse início de 2011.
Outro problema é que a inclusão de disciplinas está restrita à seguinte situação: problemas no Iduff (que devem ser iluminados com comprovantes impressos da inscrição online), matérias fantasmas, matérias lotadas. Nesse caso o aluno pode optar por pedir inclusão em outra matéria que seja no mesmo horário. Essa medida parece não levar em conta a especificidade do nosso currículo, que exige matérias específicas do eixo profissional e que não são oferecidas no mesmo horário, o que até facultaria o aluno a trocar de disciplina. A isso acrescenta-se que não se conhece de antemão, ou seja, à época da inscrição online, as ementas e os professores que ministrarão a maioria das matérias. Apesar de terem sido disponibilizadas algumas ementas, boa parte das matérias que atendem pelo nome de “Seminário Econômico-Social XII” ou “História da Cultura, Mentalidade e Ideologias na Alta Idade Média” continuaram um mistério até o primeiro dia de aulas. Qual não foi a surpresa geral quando a coordenação simplesmente decidiu que os alunos seriam obrigados a continuar em matérias completamente diferentes daquilo que esperavam ou então teriam de cancelá-las sem poder incluir outra disciplina no lugar.
Dentre os casos que ouvi nessa primeira semana de aula, inclusive alguns eu mesmo pude presenciar, houve aluno que conseguiu emprego ou estágio no período entre a inscrição online e o início das aulas e que pediu para trocar matérias, incluir algumas em outros horários, pois ficaria impossibilitado de cursar as disciplinas em que havia se inscrito pela internet. Resposta do coordenador do curso: “Não podemos fazer nada. Infelizmente isso é um problema pessoal seu.”. Há alunos que tiveram de cancelar matérias por esses motivos e estão inscritos em apenas 1 disciplina, com tantos professores dando aula para 5 ou 10 alunos.
Além de isso causar um enorme transtorno a longo prazo para a própria coordenação, pois dificultará a conclusão do curso por alunos-trabalhadores, esse tipo de atitude altamente autoritária indica as intenções de relacionamento que a coordenação do curso pretende travar com o corpo discente: “Nós seguiremos as regras. Vocês seguirão as regras. Estas são as regras.”
Fiquei espantado com as atitudes da coordenação, que deixaram irritados (para dizer o mínimo) diversos alunos que lá compareceram para tentar ajustar seus horários às suas necessidades específicas e dessa maneira conseguirem cursar com qualidade o primeiro semestre letivo de 2011. Um histórico de diálogo que já dura pelo menos 5 ou 6 anos (que atravessaram diversas gestões diferentes da coordenação do curso), diálogos através dos quais os corpos discente e docente buscaram resolver em conjunto (mesmo que de forma não-igualitária) os problemas sempre presentes de currículo e oferta de disciplinas, foram ignorados solenemente pela atual gestão da coordenação da graduação de História.
Gostaria com este texto de pedir, no mínimo, explicações razoáveis para os motivos que levaram os coordenadores do curso a agir de tal maneira, tendo em vista que nenhuma das desculpas apresentadas individualmente no balcão da coordenação pareceu convencer ou ao menos esclarecer os irritadíssimos alunos que voltaram para suas casas após essa primeira semana de aula sem a certeza das disciplinas que cursarão em 1.2011, mas convencidos de que este é o pior início de gestão da coordenação nos últimos anos.
O caos está instaurado. Ordenemo-lo da melhor forma possível.
Gabriel Melo, 9 período.